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  • Escola Vira-Virou

A Construção da Personalidade Infantil


Como o SENTIR, o PENSAR e o ATUAR do adulto influenciam na leitura de mundo da criança.



Aprendemos a conhecer o mundo através das experiências que vivemos! Interagindo com as situações, com os seres, com as oportunidades que nos apresenta esse mundo, vamos construindo nossos conhecimentos!


“Experimentar” é um conceito que já internalizamos com as práticas construtivistas. Entretanto, em muitas situações, nós adultos, determinamos que experiências vão entrar ou não no repertório de aprendizagem das nossas crianças, por mera crença de que estamos sendo cuidadosos, atentos e coerentes com nosso papel social, seja de professor ou de pais.


Eu, movida por uma inquietude de me nutrir de saberes que ajudam na prática como professora e mãe, resolvi iniciar uma formação em Antroposofia para entender um pouco mais sobre essa filosofia que abrange tantas áreas e que consiste em entender a relação do Ser Humano com o Universo e tudo que nos rodeia.

“Quando falamos de uma pedagogia antroposófica, não falamos de uma reforma fanática do pensamento ou da necessidade de uma renovação da Educação, mas do sentimento e da vivência do desenvolvimento cultural da humanidade”.
Rudolf Steiner

Reflexões como essa de Rudolf Steiner, o criador da Antroposofia, me fizeram seguir investindo em uma prática (de certa forma) livre de imposições. Comecei a perceber que ser um adulto “Contemplador de Descobertas” era muito mais interessante do que ser detentor de saberes!


Descobri que através da “TRIMEMBRAÇÃO SOCIAL”: PENSAR, SENTIR e AGIR, o Ser Humano se constitui e se apropria de seu conhecimento de mundo, tornando-se um cidadão mais crítico e mais criativo. E isso era o que eu queria para os meus alunos e filha.


Para Steiner, a composição do indivíduo se dá através dessa trimembração, tendo os órgãos do Coração, Cérebro e os Membros como uma tríade que funciona de forma integrada.

“No coração tece o sentir, na cabeça luze o pensar, nos membros vigora o querer. Luzir que tece, tecer que vigora, vigorar que luze: Eis o homem.”
Rudolf Steiner ga 40, p. 121

A Antroposofia ainda nos traz a importância das conquistas feitas pelo ser humano no primeiro setênio, afirmando que são a base para edificar a vida humana. Tendo como foco o desenvolvimento das capacidades corporais, linguísticas, cognitivas.


Friedrich Richter, escritor alemão, admirador de Jacques Rousseau, já dizia: "Nos três primeiros anos o homem aprende muito mais para a vida do que nos três anos acadêmicos.”


Então, com tantas coisas por construir nos primeiros anos de vida, porque limitar nossas crianças a experiências pré-determinadas por nós adultos?


“Antes de ser apresentada aos problemas ambientais, a criança precisa experimentar a natureza em sua plenitude e beleza, tornar-se íntima dela e vincular-se afetivamente.”

(Manual de orientação – grupo de trabalho e saúde e natureza. Sociedade Brasileira de Pediatria/2019)


Vivenciar as descobertas, dando lugar ao espanto de contemplar as pequenas coisas que esse mundo oferece, ter tempo para se dedicar a suas experiências e a suas aventuras dentro de um ambiente favorável para que isso aconteça, é o que nossos pequenos precisam para crescerem saudáveis e se envolverem plenamente nas relações interpessoais.

Um ambiente que favoreça essas experiências e a oportunidade de contemplação são as ferramentas que o adulto pode oferecer para que tudo que a criança precisa, aconteça. Acompanhar dando suporte, deixar que surjam perguntas e respostas hipotéticas, observar e ser o apoio dessas experiências, é o papel do adulto nessa relação.

Cuide para que o que seja oferecido não seja o que é bom para você, adulto. Tenha consciência de que o tempo da criança não é o seu! Que os interesses da criança não são os mesmos que os seus!


Nós adultos temos que estar atentos para não transformar a rotina dos pequenos em rotinas “adultizadas”!


A satisfação de romper com os próprios desafios é uma das coisas que a criança aprende de maneira natural em brincadeiras da infância. Então, passar por situações que geram medo, angústia, insegurança e frustração fazem parte do amadurecimento saudável e são vivenciadas através das brincadeiras corporais.

Ter o outro como modelo de ação para que possam vencer medos, é uma oportunidade riquíssima para aprender com as experiências de nossos semelhantes.


É nos momentos de brincadeira livre que as crianças cultivam a capacidade de pedir ajuda quando têm dúvidas, em como e quando desafiar seus medos e inseguranças, aprendem a lidar com frustrações e fortalecem a autoestima. Com a liberdade de experimentar o mundo, aprendemos que não somos donos de uma única verdade! Podemos rir das nossas quedas e levantar para enfrentar outras com segurança e autoconfiança! Tendo ao lado um adulto atento e que permite a criança ousar, o Ser se constitui de maneira harmônica e saudável.


Valeria Rodrigues











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